Shai Linne – Como os Cristãos Devem se Relacionar às Artes?
Postado em abr 20, 2012 sob Conceitos e Princípios, Criatividade na Adoração, Vídeos | 0 comentáriosComentar

Durante a Conferência Regional no Rio de Janeiro, o Cante as Escrituras teve a oportunidade de ter uma amigável e pra lá de informal conversa com o músico e nosso amigo Eduardo Mano. Inquestionavelmente um dos melhores compositores de cânticos congregacionais da atualidade, o mano Mano é um cara muito humilde e agradável. Mesmo sendo bem humorado (quase morri de rir almoçando com ele e com a banda), ele entende a seriedade do louvor que entoamos a Deus em nossos cultos, sendo muito útil às congregações que têm usado suas canções.
Tecnicamente, ele só lançou um CD, “Velhas Verdades”, o qual eu possuo duas cópias (com dedicatória, claro). Você pode acessar eduardomano.net e ouvir online ou baixar grátis. Se quiser ajudar o trabalho do Mano, você pode comprar uma cópia física do CD mandando um e-mail para eduardomano@gmail.com e pedindo um orçamento (e vai por mim, é bem barato). Ele também lançou dois EPs chamados “Canções para Pequenos Grupos” e “Esperança”, apenas para download, que podem ser ouvidos e baixados grátis aqui. Seu quarto trabalho, chamado “Mais Vale um Dia Vale Mais”, já está à caminho (você pode ouvir algumas músicas deste novo trabalho aqui).
Veja o vídeo que gravamos da conversa e dê algumas risadas, confira a história de boas músicas e considerações muito pertinentes de alguém que está ajudando a pintar o cenário musical de nossa geração.
© Cante as Escrituras
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Segunda palestra da Conferência Regional no Rio de Janeiro, em Novembro de 2011.

Este é o meu último post (por enquanto) acerca das expressões corporais na adoração coletiva. Deixe-me dizer novamente que, em questões relativas à nossa fé, expressões físicas na adoração corporativa são um assunto importante, porém secundário. Eu não tenho problema algum em adorar a Deus com uma igreja que seja mais entusiasmada ou mais reservada do que eu estou acostumado, contanto que ela esteja proclamando o mesmo Evangelho e gloriando-se no mesmo Salvador.
Todavia, nossa cultura tende a separar mente e coração, doutrina e devoção. Algumas congregações cantam letras profundamente bíblicas sem qualquer efeito visível (o que nem sempre significa que elas não estão sendo afetadas). Outras igrejas são entusiasticamente expressivas, mas aparentam estar buscando as experiências mais do que Deus (o que, de novo, nem sempre é verdade). Então isso conduz a uma quarta sugestão para ajudar uma igreja a crescer em expressividade física:
4. Pregue e cante a Palavra, as obras, a dignidade de Deus, centrando-se no Evangelho, para aumentar as afeições das pessoas por Deus.
Esse deveria ter sido um melhor primeiro ponto. Nós não ajudamos as pessoas a crescerem em uma expressividade que glorifica a Deus simplesmente explicando-lhes ou dizendo a elas que levantem as suas mãos. Ensino e encorajamento podem ser necessários às vezes, mas direcionar a atenção das pessoas para a glória de Deus em Cristo é a nossa mais profunda motivação e alvo.
Nossos corpos naturalmente refletem o que nos afeta. Eu me encolho quando um copo de leite está para se quebrar; eu abro bem os meus braços enquanto minha filha corre para me encontrar; eu pulo do sofá com minhas mãos erguidas quando o meu time faz o gol da vitória; eu agradecidamente aplaudo atos de serviço altruísta; eu choro quando o filho de um amigo morre. Seria a igreja o único lugar onde nossos corpos não podem expressar o que nossas mentes estão compreendendo e os nossos corações estão sentindo?
Assim, nosso objetivo deve ser ajudar as pessoas a ouvirem, verem e entenderem as coisas certas. O que isso significa? Enquanto nós cantamos: “Nenhum poder do inferno, nenhuma conspiração dos homens jamais pode me arrancar da Sua mão”[1], alguns podem levantar as suas mãos para agradecer a Deus porque os Seus planos de salvar-nos não podem ser impedidos. Enquanto nós cantamos: “Meu pecado – oh, a felicidade desse glorioso pensamento! –, meu pecado, não em parte, mas no todo, foi cravado na cruz e eu não o carrego mais”[2], alguns podem ajoelhar-se em adoração agradecida porque TODOS os seus pecados foram perdoados. Após cantarmos: “Coroai-O com muitas coroas, vós reis, pois Ele é Rei de tudo!”[3], nós devemos ouvir alegres aclamações de louvor ao onipotente, soberano, vitorioso Salvador.
Mesmo quando meu coração não está sendo afetado pelo que eu estou cantando, expressar corporalmente minha devoção a Deus pode incitar a afeição no meu coração. Eu ergo minhas mãos porque Deus É digno de ser exaltado. Eu me ajoelho porque eu SOU completamente dependente das misericórdias, do sustento e da sabedoria de Deus. Meus pés se movem de alegria porque meu maior problema – meu pecado contra o santo Deus – está resolvido mediante a obra consumada de Jesus Cristo.
Obviamente, no final das contas, eu preferiria estar sentado no meio de uma congregação quieta que esteja cantando ricas verdades doutrinárias do que estar pulando com uma congregação animada que está cantando músicas rasas e centradas no homem. Mas por que não buscar os dois? Deus não pretendeu que tivéssemos de escolher. Nós podemos experimentar profundidade teológica E expressão apaixonada.
Nossas expressões físicas deveriam ajudar as pessoas a verem a grandeza da glória de Deus em Cristo. Isso pode parecer desconfortável às vezes. Nós podemos nos achar de joelhos, quebrantados por causa do nosso pecado, enquanto outros cantam sem parecerem estar sendo afetados. Isso significará que nós temos de fazer todos os esforços para estar comprometidos com Deus, e não simplesmente com as nossas emoções. Isso certamente significará que nós nunca pensaremos que alguma expressão física seja adequada para expressar completamente o nosso deslumbre diante da misericórdia de Deus em nos atrair a Si mesmo através do Salvador. Isso se mostrará diferente em tempos diferentes, em igrejas diferentes e em culturas diferentes. Mas não há dúvidas de que nós temos de ajudar as pessoas em nossas congregações a entenderem que Deus é digno das nossas mais profundas, intensas e puras afeições. E nossos corpos devem demonstrar isso.
Firme está o meu coração, ó Deus!
Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma.
Despertai, saltério e harpa! Quero acordar a alva.
Render-te-ei graças entre os povos, ó SENHOR!
Cantar-te-ei louvores entre as nações.
Porque acima dos céus se eleva a tua misericórdia,
e a tua fidelidade, para além das nuvens.
___
[1] “No power of hell, no scheme of man can ever pluck me from his hand”, trecho de “In Christ Alone”.
[2] “My sin, oh the bliss of this glorious thought, my sin, not in part but the whole, has been nailed to the cross and I bear it no more”, trecho de “It Is Well With My Soul”.
[3] “Crown Him ye kings with many crowns for He is King of all!”, trecho de “Crown Him With Many Crowns”.
Tradução: Cante as Escrituras.

Eu estou falando sobre como ajudar uma igreja a crescer em expressões físicas que chamam a atenção para a grandeza da glória de Deus em Cristo. Depois de ensinar sobre a legitimidade dessas expressões na adoração a Deus e sobre a importância do coração, eu avançaria para:
3. Aponte as diferentes razões pelas quais as pessoas podem ser reservadas em sua expressão e ensine sobre considerar os outros superiores.
Alguns cristãos simplesmente ignoram o que a Bíblia ensina a respeito de respostas físicas a Deus. Eles não sabem que a Escritura está cheia de exemplos de adoração exuberante e apaixonada (Salmo 150; Neemias 8.6; Apocalipse 5.11-14). Talvez eles tenham crescido em um ambiente de igreja que elevava certos tipos de expressões e ignorava outros. Às vezes, simplesmente entender o que a Bíblia diz irá trazer uma maior liberdade na expressão.
Outros restringem suas respostas a Deus por terem medo do que outros possam pensar. Eles questionam se sua imagem como cristãos “respeitáveis” ficará manchada. Eles estão preocupados se as pessoas irão achar que eles estão buscando o emocionalismo. A Bíblia chama isso “o temor do homem” (Provérbios 29.25). Nossas respostas a Deus estão alicerçadas na Sua dignidade, não em alguma imagem ou reputação que nós estejamos tentando proteger.
Alguns pensam ser hipocrisia expressar honra a Deus fisicamente quando eles não sentem algo em seus corações. Ao contrário, só é hipócrita quando nós agimos de maneira a dar aos outros uma falsa impressão quanto à nossa espiritualidade. Uma resposta mais adequada é considerar a nossa falta de desejo por Deus como uma evidência da nossa pecaminosidade inata e começar a preencher nossas mentes com verdades acerca de Sua benignidade, misericórdia, santidade, graça e bondade, especialmente demonstradas a nós no Evangelho. Então, nós agimos em fé, confiando que Deus nos dará uma maior paixão por Ele.
Outra razão para nossas ações a Deus serem comedidas são pressuposições teológicas. Eu tenho bons amigos, que respeito profundamente, os quais amam a Deus apaixonadamente, conhecem a Bíblia muito melhor do que eu, e são mais reservados em suas expressões físicas. Eles creem que nossa adoração deve ser caracterizada por uma atitude de reverência e temor (Hebreus 12.28), sobriedade e solenidade. É verdade que reverência e temor são essenciais à adoração bíblica, mas ajoelhar-se ou levantar as mãos não podem ser um sinal disso também? Igualmente, é impossível ignorar a multidão de exemplos e mandamentos na Escritura que enfatizam a celebração, paixão, deleite e exuberância, tudo isso refletido através dos nossos corpos. A pergunta a ser feita a nós mesmos é esta: Há alguma expressão física de adoração que Deus nos deu na Escritura e eu nunca demonstrei? Se sim, por quê?
Finalmente, alguns pensam que adoração é uma questão do coração, não do corpo. Na verdade, ambos são cruciais. Se eu dissesse à minha esposa que a amo muito em meu coração, mas nunca demonstrasse isso em ações físicas, eu duvido que ela acreditasse em mim. Aliás, isso sequer se pareceria com um casamento.
Em toda igreja, existirão níveis variados de expressividade física. Enquanto o foco da nossa expressão corporal é o próprio Deus, nós somos chamados em amor a fazer aquilo que é edificante para outros (1Coríntios 14.12; 13.1-8). Isso significa que eu não vou romper em gritos e danças entusiasmadas somente por sentir que devo fazê-lo. Eu quero que as pessoas vejam a glória e a grandeza de Deus, não minhas demonstrações físicas. Eu também não assumo que aqueles que são fisicamente expressivos estão procurando atenção, são hipócritas ou insensíveis a outros. Talvez, Deus queira me ensinar através da expressividade desinibida e sincera deles.
O nosso foco deveria ser exaltar a Deus de uma maneira que magnifica tanto a Sua infinita santidade quanto a Sua graça insondável que nós aproximou Dele através de Jesus Cristo. Nossa cultura, personalidade ou o contexto de onde viemos não determinam decisivamente como isso deve ser – Deus o faz. Que nossas igrejas possam ser cheias do tipo de verdade e expressão que mais claramente comunica aos outros o valor Daquele a quem adoramos.
Tradução: Cante as Escrituras.

Hebreus 10.24,25 – “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.”
Mais de uma vez ouvi cristãos afirmando que o culto deve ser divertido, ou agirem como se eles tivessem uma responsabilidade de provar que os cristãos sabiam como “curtir” na igreja. Sempre me senti desconfortável com essa conexão, então comecei a pensar sobre o lugar da “diversão” no culto, e se isso realmente existe. Gostaria de tratar a questão respondendo como eu a fiz, e então considerando duas maneiras pelas quais ela pode ser reescrita.
O culto deve ser divertido? Se tomarmos o testemunho exaustivo da Escritura, a resposta poderia ser um ressoante NÃO. “Diversão” não parece caracterizar muitas das cenas onde o povo encontra Deus na Bíblia. Somos ensinados a adorar a Deus com reverência e respeito, pois ele é fogo consumidor (Hb 12.28-29). Ter “diversão” nunca deveria ser nosso motivo principal quando nos reunimos. Nosso alvo é lembrar a grandeza de Deus, apresentar nossas petições diante dele, e agradecê-lo por suas misericórdias abundantes em Jesus Cristo. Celebração certamente deve ser incluída nisso, mas existem também momentos em que adorar a Deus produz temor, lágrimas de arrependimento, e um profundo silêncio.
Mas, deixe-me refazer a questão. O culto pode ser divertido? Depende de como definimos “diversão”. Eu sei que alguns de vocês não acreditam que eu esteja realmente levando em consideração essa ideia. E é possível que ganhe alguns comentários a esse respeito. Mas acredite: não estou tentando ser leviano. De fato, estou, no momento, na conferência de pastores de John Piper e, na última noite, ouvi uma mensagem de R.C. Sproul sobre a santidade de Deus em Isaías 6. Foi poderosa, convincente e sóbria. Adoramos a um Deus santo.
Se “diversão” for definida como uma atividade leve, sem propósito ou significado, estritamente a fim de entreter, então a resposta a “o culto pode ser divertido” deve certamente ser não. Quando adoramos a Deus juntos, não estamos procurando ser meramente entretidos ou momentaneamente distraídos dos cuidados deste mundo. Recreação não é o mesmo que adoração. Nossa alegria e prazer devem estar sempre fundamentados e formados pelos atos, natureza e atributos de Deus.
Entretanto, quando procuro por “diversão” em meu dicionário, o primeiro significado é “agradável”. Se estamos perguntando “adorar a Deus pode ser agradável?” então certamente a resposta deve ser sim. Isaías 6 não é o único capítulo da Escritura que descreve como nos relacionamos com Deus. Houve inúmeras vezes em que estive liderando o culto ou cantando como parte da congregação e pensei “eu amo fazer isso!”. O prazer inundou minha alma, e eu pude legitimamente dizer que eu estava tendo “diversão”!
Talvez isso seja semelhante ao que os israelitas experimentaram em 2 Crônicas 30. Eles estavam gostando tanto de celebrar a Festa dos Pães Asmos por sete dias que Ezequias e o povo espontaneamente decidiram manter a festa por mais sete dias (2 Cr 30.22,23)! Deve ter sido uma bela celebração! Em outra ocasião, Esdras e os sacerdotes disseram ao povo para que não se entristecessem ou chorassem porque aquele dia era “consagrado ao Senhor”, e que a alegria do Senhor era a força deles (Ne 8.9,10). Santidade e alegria não são necessariamente exclusivas.
Quando meus filhos estavam crescendo, eu queria que eles desejassem cantar músicas de louvor, e não vissem o relacionamento com Deus como algo que era apenas sério, sóbrio e solene. Afinal de contas, cantar ao Senhor deveria ser prazeroso (Sl 135.3; Sl 147.1). Davi dançou na presença do Senhor com toda sua força enquanto trazia a arca de volta a Jerusalém (2 Sm 6.12-15). O Salmista alegrou-se quando lhe disseram: “Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122.1). Então, sim, quando definido como prazer, e não visto como o único aspecto do culto, adorar a Deus pode ser muito “divertido”. As pessoas não deveriam achar nossas reuniões sombrias ou sem vida. Sorrisos e mesmo risadas deveriam fluir enquanto consideramos quão bom, misericordioso e gracioso Deus tem sido a nós (Sl 126.2)!
Mas, deixe-me reescrever a questão mais uma vez, para expandir a aplicação. “Nossa diversão deveria ser um culto”? Bem, agora a resposta deve ser certamente “sim”. Somos ensinados em 1 Co 10.31 que quer comamos ou bebamos ou façamos qualquer coisa, façamos tudo para a glória de Deus. Ao invés de enfocar ou fazer a nossa adoração corporativa divertida, deveríamos dedicar mais tempo tendo certeza de que nossa “diversão” é adoração.
Aqui estão algumas questões que podem nos levar nessa direção:
Eu escolho uma atividade divertida porque não há nada mais para fazer ou porque eu creio que de alguma forma ela levará ao crescimento do meu amor pelo Senhor?
Quando eu jogo algo, participo de esportes ou me dedico a um hobby, minha atitude demonstra o fruto do Espírito?
Quando eu saio com um grupo de amigos, estou apenas procurando divertir-me, ou glorificar a Deus através de encorajamento, luta contra o pecado e serviço a eles?
As atividades que eu considero “divertidas” aumentam minhas afeições pelo Senhor ou a diluem?
Eu enxergo meu tempo livre como pertencente a mim ou ao Senhor?
A diversão que o mundo oferece é insatisfatória, enganosa e temporária. Não vamos idolatrá-la ou cair por causa dela. Como cristãos, podemos desfrutar de atividades divertidas sem acreditar que elas são as raízes de nossa alegria. A diversão, alegria, prazer e celebração que experimentamos quando adoramos a Deus é maior que o mundo poderá conhecer, porque a raiz dela é saber que somos completamente perdoados através do sacrifício substitutivo de Jesus Cristo. Nossa alegria está no próprio Deus. Seríamos tolos de procurá-la em outro lugar.
Fonte: iPródigo.